13 coisas que você não deve dizer à um bariatricado!

Com certeza, quem passou pela cirurgia bariátrica/gastroplastia/redução de estômago já ouviu algum desses comentários…

Agora, se você se importa, tira um tempinho e leia.

O psicólogo Douglas Amorim, que eliminou cerca de 65kg após realizar a cirurgia bypass fez um post no blog dele com uma excelente reflexão sobre o assunto e não pude deixar de compartilhar aqui no blog…

13 coisas que você não deve dizer à um bariatricado!

por Douglas Amorim

         Toda decisão vem carregada de opositores. Não se pode achar que irá contar com apoio e compreensão de todas as pessoas. E no caso da bariátrica em específico, os que decidem precisam lidar com a falta de informação e muitas vezes até com o medo dos seus entes queridos. Esses por medo não apoiam e por isso tendem a agir de forma rude em relação à qualquer coisa ligada a cirurgia, e isso, se estende ao pós cirurgia dando origem à muitas coisas desagradáveis de se ouvir.

         Então decidi fazer esse texto para dividir com vocês minha experiência de um bariatricado e também um psicólogo.

1)      “Nossa, você está com cara de doente”

        A cirurgia bariátrica é feita para corrigir uma doença. A recuperação total leva em média 2 anos. É óbvio que no processo o aspecto do cirurgiado ficará como a de um doente. Isso não é regra, claro. Mas, a grande maioria dos casos tem apontado que isso é verdade quando atinge o ponto máximo de emagrecimento. E acredite, o cirurgiado sabe disso, não há necessidade de dizer. Isso causa muito constrangimento e imagino que você não deseja que ele sinta isso, né?

2)      “Não vai parar de emagrecer?”

          O organismo funciona de forma adaptativa, leva tempo para se adaptar à uma nova rotina alimentar e fora que o paciente passa um longo período testando comidas. Alguns alimentos demoram à caírem bem, carnes por exemplo, e até lá o emagrecimento progressivo será ininterrupto. O que vai ajudar o seu amigo ou parente você dizendo isso?

3)      “Conheço uma pessoa que engordou tudo de novo.”

         E ele conhece outras tantas que fez e nunca mais engordou. Se o seu parente passou por um período de preparação, o que incluiu acompanhamento com nutricionista, psicólogo, médicos, nutrologo, endocrinologista, ele foi alertado sobre esse perigo. Você acha que você dizendo isso irá mudar o que?

4)      “Você nem era tão gordo(a)”

        Se o plano de saúde, os médicos, o manequim acima do 50, o IMC acima dos 35, concordaram que ele estava sim obeso, porque você acha que dizendo isso irá auxiliar em algo?

5)      “Conheço uma pessoa que foi fazer e morreu”

          Sim, e conhecemos um número muito maior de pessoas que morreram de infarto, parada cardiorrespiratória, de complicações a partir de doenças originadas por diabetes. Assim como conhecemos caso de pessoas que engasgou com uma azeitona e morreu, outros que sofreram hemorragia por arrancar um dente. Sério, gente. Compreendemos que você pode estar com medo em perder o seu ente querido, mas esses exemplos guarde para você.

6)      “Você tem uma vida normal?”

        Como assim vida “Normal?” Você acha que o obeso leva uma vida normal? Que comer toneladas é normal? Que sofrer dores e doenças advindas da obesidade é normal? Tudo é questão de adaptação e aceitação. Tenha respeito e paciência com o processo do cirurgiado.

7)      “Você era um(a) gordinho(a) bonita.”

         Essa é uma opinião. E dizer isso subtende-se que você está dizendo que ele(a) não está bonito agora. O que também é uma opinião e nesse sentido, você pode até ser considerado um magro feio, magro bonito, a pergunta que fica é: Quem é que precisa saber isso, ou dizer isso?

8)      “Se você se esforçasse  conseguiria emagrecer sem a cirurgia.”

           Acredite, um obeso passa por anos de luta. Tentam todo tipo de dieta. Emagrecem e engordam um zilhão de vezes e precisam administrar pensamentos de fracasso o tempo todo. Porque sempre tem alguém dizendo que basta se esforçar, que é apenas questão de foco. Se ele optou pela cirurgia é porque foi o meio que encontrou de resolver uma doença. Não era questão de se esforçar um pouquinho mais.

9)      “Você se arrepende?”

    Normalmente o arrependimento é de não ter feito antes. Mas, essa pergunta normalmente já vem carregada com o julgamento que você considera que ele tenha feito uma escolha errada. Porque ao invés dessa pergunta você apenas não pergunte o que melhorou na vida dele, e deixe ele falar o que acha sobre a cirurgia. Afinal, a experiência de ter sido obeso e ter optado pela cirurgia somente ele tem, você não. Então escute, aprenda algo e seja empático.

10)  “Vai comer tudo issoooooo? Vai engordar de novo, hein?!”

      Todo mundo passa por dias que está com mais apetite que outros dias. Com você não é assim? Porque uma pessoa que fez a cirurgia não pode ter dias que deseja simplesmente repetir? Ou comer um pouquinho a mais? Isso significa que ele está fadado à obesidade? Claro que não.

11)  “Você se mutilou”

       Essa é uma das coisas mais grosseiras que pode ser dito à alguém cirurgiado. O que você deseja causar dizendo algo assim? É apenas para fazer o outro se sentir mal? Espero que seja apenas uma desatenção e não algo planejado. Todavia, guarde esse pensamento pra você. E se fossemos pensar assim teríamos que incluir nessa ideia de mutilação pessoas que arrancam o siso, o útero, o vesícula, as amidalas, e tantas outras coisas.

          12)    “Sobrou muita pelanca? Deixa eu ver.”

                Gente, por gentileza. É sério isso? Isso realmente é uma questão sua? É muito constrangedor ser abordado desse jeito. Porque vocês fazem esse tipo de pergunta com  tanta naturalidade? Essa é uma questão íntima, e está ligada ao processo de compreensão emocional do processo de emagrecimento. A pessoa que fez a cirurgia está lidando com inúmeras questões e ser exposta à você, por você, não irá ajudar em nada. Tudo bem que você tenha curiosidade, mas isso não é problema de quem fez a cirurgia.

          13)   “Você virou escravo(a) de medicação, né?”

         Ué, há pessoas que tomam relaxantes musculares, que tomam remédios pra enxaqueca, que toma para TPM e cólicas. Há pessoas que tomam anti-depressivos, muitas vezes sem prescrição médica. O que é isso comparado com vitaminas?


        Quando decidimos pela cirurgia não temos muita ideia de quem irá apoiar ou se opor. Mas, mesmo aqueles que se opõem o que esperamos é compreensão. E que muitas vezes apenas vão até o onde o respeito mútuo permite. Algumas barreiras de bom senso precisam ser muitas vezes impostas, e por mais que tentemos ser equilibrados, muitas vezes precisamos colocar algumas pessoas no lugar delas. Isso sem se desgastar tanto, sem ficar com raiva ou triste. Apenas colocá-las no lugar delas que é o da total ignorância. Não sabem o que é ser obeso e ainda, não sabem nada sobre a cirurgia bariátrica. Se ama mesmo o seu ente querido e/ou amigo que fez a cirurgia, apenas seja empático, e se não conseguir, seja respeitoso. Pense antes de falar: o que isso vai ajuda-lo em seu processo?


Douglas Amorim é psicólogo, atende em Cuiabá crianças, adolescentes, adultos. Coordena um grupo terapêutico para pacientes no pré e no pós-operatório da cirurgia bariátrica. Há 3 anos realizou a cirurgia bypass e emagreceu 65kg.

Realiza atendimento online e publica diariamente frases e pensamentos no perfil do Instagram: www.instagram.com/umpsicologoemcuiaba
Agendamentos de consulta pelo WhatsApp 65 9293 9445

*A imagem ilustrativa e as informações acima retirei do blogspot http://psicologiabariatrica.blogspot.com.br/2016/06/13-coisas-que-voce-nao-deve-dizer-um.html através de pesquisa na internet.

Sobre maryalcantaras

Sou uma pessoa calma e bastante tímida. Não costumo sair muito e por isso vivo na internet. Sou bem eclética em questões referentes a preferências... adoro ler, ouvir música, dançar e tomar umas biritas de vez em quando... mas o que eu adoro mesmo é DORMIR e BEIJAR!!! Meu hobbie é DORMIR. Me interesso por coisas variadas, gosto tanto de coisas simples quanto de coisas rebuscadas. "O Amor conquista-se com Amor e não impondo regras." (A.D.) E talvez tenha de praticar um pouco mais a minha tolerância...
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