Tão Forte e Tão Perto

Assisti este filme recentemente e não poderia deixar de postar algumas informações sobre ele aqui no blog…

O filme traz um ponto de vista bastante diferenciado dos atentados de 11 de setembro, com excelentes atuações e uma história encantadora…

O filme é classificado como drama, é um filme que trata de questões difíceis, como perda, luto e medo. A história busca trabalhar sentimentos de perda e superação, mas parece perder-se em vários momentos parecendo uma colcha de retalhos…

Imperdível… eu recomendo!

“Somente os seres humanos podem chorar lágrimas. Você sabia? “
Oskar Schell

Tão Forte e Tão Perto

SINOPSE

Adaptação do romance escrito por Jonathan Safran Foer centrado na história de um garotinho de 9 anos de idade, Oskar Schell, que procura por toda Nova York um cofre cuja chave lhe foi deixada pelo pai – morto durante os ataques terroristas de 11 de setembro. Oskar, bastante esperto e inteligente, também se diz um inventor amador, designer de jóias, astrofísico, tocador de tamborim e pacifista.

LOCAIS DE FILMAGEM

  • JC Studios, Brooklyn, New York City, Nova York, EUA
  • Nova York, EUA

PRÊMIOS

Indicado ao Oscar 2012 como Melhor Filme

CRÍTICA

A cidade de Nova York é dividida em cinco distritos. Quando este filme começa, Oskar Shell, menino na faixa dos dez anos, está procurando o sexto. Sua busca inclui pesquisas em mapas e sondagens in loco. Uma delas acontece no Central Park, onde o menino sonda um jardim, passando informações à sua avó paterna, via walkie-talkie. Assistente impassível e sempre solidária, a avó diligentemente as anota, em seu escritório de campo, composto por mesa e cadeira desmontáveis, no mesmo jardim.

Tão intrigante quanto divertida, essa busca fora motivada a Oskar por seu pai, Thomas. Entre suas medidas para incentivar o filho nessa investida, Thomas faz cartões de apresentação do menino, credenciando-o como detetive amador, fotógrafo amador, arqueólogo amador, e outras profissões, criadas sob consulta ao próprio Oskar. Ao incutir no filho o apreço por uma meta, Thomas acreditava desenvolver no menino a iniciativa e a coragem, como explica, reservadamente, à Linda, sua mulher e mãe do menino. Com sensibilidade de mãe e cumplicidade de esposa, Linda acompanha de modo isento os efeitos da busca, tanto no filho, quanto no marido.

Oskar e o pai compartilham o gosto por arqueologia e expedições. Também são os dois aficcionados por oxímoros, que os levam a protagonizar impagáveis torneios de esgrima, em que duelam verbalmente, desafiando um ao outro com seus repertórios de paradoxos. Com tais afinidades e o gosto por estar juntos, Thomas e Oskar são grandes companheiro s. O menino acompanha o pai em seu trabalho na joalheria, onde conversam abertamente sobre temas sérios como família e profissão. O pai leva o filho a passeios no Central Park, aproveitando tais ocasiões para incentivá-lo a desfrutar de um simples balanço, brinquedo que o menino considera inseguro. Quer, assim, levar o filho a minimizar suas aguçadas precauções, sem jamais deixar de compreendê-las, ciente dos precoces pacifismo, espiritualidade e inteligência de Oskar.

No dia 11 de setembro de 2001, Oskar vê toda a sadia camaradagem com seu pai ser abrupta e involuntariamente encerrada. Liberado mais cedo da escola, ao entrar em casa, o menino ouve mensagens que seu pai deixara, do andar onde se encontrava preso, na torre norte do World Trade Center. Assustado, liga a televisão, e, diante das imagens do atentado, antevê a perda iminente do pai. Logo ao retornar do trabalho, Linda, que, ainda no começo da tragédia conseguira atender dois telefonemas do marido ao celular, pergunta a Oskar se havia recados na secretária eletrônica. O menino, ora na companhia da avó, nada responde, abrigado debaixo de sua cama, em posição fetal e totalmente incomunicável.

Na noite deste que Oskar passou a chamar de “o pior dia”, o menino trata de comprar uma secretária eletrônica idêntica àquela que contém os recados de seu pai, e a substitui pela nova. Pensa assim evitar que sua mãe ouça o que, para ele, ninguém mais merece ouvir. Com a antiga secretária, fotos e outros pertences de Thomas, o menino constitui um pequeno memorial do pai, no alto de seu guarda-roupas. Amargurado, Oskar evita a mãe, confuso entre a vontade de protegê-la e a revolta pela perda do pai.

Um ano depois, vasculhando o closet de Thomas, o menino deixa cair uma urna azul, cuja quebra revela um envelope onde se lê o nome Black, no qual encontra uma chave. Inicialmente vista como algo para ele ou para sua mãe, a descoberta é o suficiente para reavivar em Oskar o senso investigativo que seu pai lhe incutira. Diante dela, o menino planeja uma jornada para encontrar o que a chave poderá abrir. Tal expedição prevê a visita a todas as famílias de sobrenome Black, que o menino listou a partir de catálogos telefônicos de Nova York.

Munido de sua bagagem de expedicionário, a qual inclui uma antiga câmera fotográfica e um pandeiro para acalmá-lo (ao modo indiano), o menino parte para a jornada. Despede-se friamente da mãe, que, intuindo o intento do filho, senta-se ao chão e acompanha os passos de Oskar pela fresta entre a porta e o piso. Do lado de fora, o menino inclina o rosto para a fresta e diz à mãe: “Eu te amo”, numa das mais belas cenas do filme.

Iniciada desse modo tocante, a jornada logo põe Oscar em contato com as tristezas alheias. Abby Black, sua primeira entrevistada, tão desolada está que nem sequer pode reagir graciosamente ao galanteio que lhe faz o menino, ao abordá-la por sua beleza. Encontrando-a no momento em que seu marido deixa o lar, o curioso Oskar acaba distraindo-a disso, levantando uma discussão sobre o postal que retrata o olhar de um elefante e lhe contando tudo o que sabe sobre paquidermes.

Antes já demasiado precavido, Oskar agora teme o metrô e os lugares de concentração, passíveis, a seu ver, de ataques por “gente que a gente nem conhece”, como o que vitimou o seu pai. Por esse motivo, o menino faz todos os seus percursos a pé, numa toada que só vem a mudar com a adesão, à jornada, do inquilino estrangeiro que Oskar descobre na casa de sua avó. Muito idoso, o inquilino não suporta as longas caminhadas e, com presença de espírito, conduz Oskar ao metrô. Mudo, comunicando-se por meio de um bloco de notas e de suas mãos tatuadas com as palavras “sim” e “não”, o inquilino é a primeira pessoa a quem o Oskar se abre em sua dor. Nesse seu relato, toda a emotividade represada do menino deságua, sendo enfatizada pelo diretor por meio do recurso literário da aceleração da narrativa.

Com semelhantes recursos literários, enredo espiritualista e personagens curiosos como o próprio Oskar e seu companheiro de jornada, a trajetória do menino pode ser definida como uma fábula. Narrativa curta e de estrutura dramática, comumente protagonizada por animais ou pela atribuição de elementos a seres que não os possuem, podendo encerrar moral implícita ou explícita, a fábula é um gênero popular nas mais diversas culturas. Nesse sentido, a história de Oskar remete, por exemplo, a uma narrativa hindu, segundo a qual o Buda teria sido procurado por uma mãe, que, inconformada pela morte do filho, pede à Divindade que o traga de volta. Sereno, o Buda induz essa mãe a ir de casa em casa em sua aldeia, pedindo a cada morador que lhe dê um ramo de mostarda e lhe conte uma história. Ao final das visitas, a mulher retorna ao Buda ainda triste, mas apaziguada, tendo aprendido a lição de que todo mundo tem um relato de dor para contar.

Fábula urbana, se a história de Oskar funciona bem no cinema, isso pode ser creditado, sobretudo, à sábia direção de Stephen Daldry, que talentosamente concilia recursos literários e cinematográficos. Experiente no trato com a literatura, Daldry já havia tido êxito com outros filmes que bebem nessa fonte. Entre eles, despontam O Leitor (2008), com seu apreço pela oralidade dos clássicos literários; e As Horas (2002), ambientando a plateia no clima emocional de Virginia Woolf. Igualmente com sucesso, Daldry já havia provado seu dom de dirigir crianças no fabuloso Billy Elliot (2000), história do menino irlandês criado na pobreza de uma família de operários, que, enfrentando todos os preconceitos, revela-se um grande bailarino.

Contribuindo para o sucesso da direção, comparece um grande elenco, encabeçado pela presença dignificante de Max von Sydow. Experiente ator sueco de filmes de Ingmar Bergman (e de seu discípulo Woody Allen), respeitado e consagrado em todo o mundo, Sydow faz do inquilino uma figura absolutamente hipnótica. A magnitude desse desempenho lhe valeu a indicação ao Oscar de coadjuvante. Acompanha-o muito bem o iniciante Thomas Horn, que faz de Oskar um personagem inesquecível. À sensacional dupla de protagonistas, somam-se a silenciosa interpretação de Sandra Bullock, como a contida mãe de Oskar; a tocante entrada de Viola Davis, como Abby Black; e a experiência de Zoe Caldwell, como a avó. Não bastasse tudo isso, ainda surge um Tom Hanks em ótima forma, como o pai de Oskar.

Plena de méritos, essa produção foi indicada ao Oscar de melhor filme de 2011, e se algum reparo lhe pode ser feito, este seria ao título brasileiro, “Tão Forte, Tão Perto.” Traduzido literalmente, o título original, “Extremely Loud & Incredibly Close”, expressa com precisão as imagens reveladas no filme do World Trade Center, cujo fim, “extremamente barulhento”, naquele 11 de Setembro de 2001, pareceu, a todos, “incrivelmente perto”.

TRAILER

*A imagem ilustrativa deste post retirei do site http://www.cineclick.com.br/filmes/ficha/nomefilme/tao-forte-e-tao-perto/id/17848 através de pesquisa na internet.
*As informações sobre o filme retirei do site http://www.epipoca.com.br/filmes_detalhes.php?idf=24370 através de pesquisa na internet.
*A crítica do filme retirei do site http://www.epipoca.com.br/filmes_comentarios.php?thisOffset=0&idf=24370&idc=145624&acao=D através de pesquisa na internet.
*O trailer do filme “Tão Forte e Tão Perto” retirei do site http://www.youtube.com/watch?v=dmqQQMl73Lc através de pesquisa na internet.

Sobre maryalcantaras

Sou uma pessoa calma e bastante tímida. Não costumo sair muito e por isso vivo na internet. Sou bem eclética em questões referentes a preferências... adoro ler, ouvir música, dançar e tomar umas biritas de vez em quando... mas o que eu adoro mesmo é DORMIR e BEIJAR!!! Meu hobbie é DORMIR. Me interesso por coisas variadas, gosto tanto de coisas simples quanto de coisas rebuscadas. "O Amor conquista-se com Amor e não impondo regras." (A.D.) E talvez tenha de praticar um pouco mais a minha tolerância...
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