Resumo do Carnaval 2012

Da paradinha à paradona: a arriscada competição por criatividade nas baterias

Espetáculo dos ritmistas envolve risco para toda a escola e não rende ponto a mais. Mangueira usou carro de som extra para não atravessar
Cecília Ritto e João Marcello Erthal
 
Desfile da Mangueira, no Rio de JaneiroDesfile da Mangueira, no Rio de Janeiro (AFP)

“Quando a bateria para, toda a responsabilidade fica sobre um quesito: a bateria. E se ela falha, ficam comprometidos o ritmo, a sustentação do desfila, o canto, a dança, a evolução. Particularmente não gosto, e não sei como os jurados este ano vão avaliar o que foi feito”, afirma Mestre Paulo, da Vila Isabel

É bonito de ouvir. E ver. A cadência do samba ‘assusta’ as arquibancadas e, segundos depois, o público vai ao delírio, com as variações que os surdos comandam cada vez que uma paradinha é executada durante o desfile. Na noite de segunda-feira, o comentário foi não uma pequena parada, mas uma ousada interrupção de cerca de três minutos da bateria da Mangueira, conhecida justamente por sua tradição e por não se render com facilidade às inovações do samba.

Se a paradinha é garantia de espetáculo, o mesmo não se pode dizer quando é hora de somar pontos na competição. Paradinhas, paradonas, funk, baião. Nada disso conta pontos. E o que é mais arriscado: um erro pode comprometer décimos preciosos na apuração. Mestre Paulinho, da Vila Isabel, que fez uma apresentação impecável na noite de domingo, levou para a avenida a batida do kuduro intercalada com a levada do samba da azul e branca, sobre Angola. Mas parar a bateria, na opinião de Paulinho, com a experiência de 43 anos de desfile, é um risco que vai além da responsabilidade que devem ter os ritmistas.

“Quando a bateria para, toda a responsabilidade fica sobre um quesito: a bateria. E se ela falha, ficam comprometidos o ritmo, a sustentação do desfile, o canto, a dança, a evolução. Particularmente não gosto, e não sei como os jurados este ano vão avaliar o que foi feito”, afirma. “O jurado tem que estar atento. Num desfile, os ritmistas estão a centenas de metros de quem tem que cantar. Pode ser entendido como criatividade, mas também pode ser algo que compromete demais a apresentação”, explica.

Paulinho estabelece uma linha divisória entre o que pode ser considerado malabarismo e as contribuições efetivas ao enredo. “Fizemos o kuduro, que é algo de Angola. Foi algo discutido com toda a escola, pensado. Não tem sentido, por exemplo, colocar funk em um enredo como esse. No nosso caso, a bossa foi algo que deu uma contribuição para contar a história que levamos para a avenida”, analisa.

Quem assiste ao show da bateria nem percebe, mas o instante em que a variação rítmica entra em ação é cuidadosamente escolhido, como explica Mestre Paulinho. “Com o samba enredo escolhido, nós escolhemos um trecho da melodia em que a variação pode se encaixar. Não pode ser algo que fira o andamento, a divisão. Explicamos aos ritmistas a ideia e cada instrumento vai adaptando sua frase. Isso vai sendo assimilado até que entra no sangue”, conta, lembrando de um detalhe: “Se a quebrada ou paradinha for executada durante a apresentação da comissão de frente, por exemplo, como fica quem está lá longe?”

O risco de parte da escola atravessar foi, no caso da paradona de três minutos da Mangueira, uma preocupação especial. Zé Paulo Sierra, interprete da escola há três anos, conta que, além de todo o trabalho de ensaio, um recurso ajudou a manter uniforme o andamento do samba: um carro de som a mais, desconectado do sistema de áudio geral da Sapucaí. Foi esse carro, levado especialmente para a escola, que permitiu que a voz de Alcione, Dudu Nobre e Xande (do grupo Revelação) mantivessem as primeiras alas no ritmo correto. “Ensaiamos bastante. Foram de três a quatro meses de ensaio, ensaio duro, acerto, erro. Mesmo sabendo o que faríamos, tomamos um susto quando isso aconteceu, porque não esperávamos o tamanho da aceitação. Ficamos temerosos, é muito tempo parado, não sabíamos com 100% de certeza o que aconteceria”, diz, agora satisfeito com o resultado.

O segredo, claro, também ajudou a causar o efeito surpresa. “Guardamos isso a sete chaves”, revela Zé Paulo. “Muita gente na escola não sabia que isso aconteceria. Eles também ficaram surpresos, e o efeito positivo só aumentou”, comemora.

São Paulo – Presos alegam acordo para não ter campeã do Carnaval

Tiago Farias e Cauê Ferreira afirmaram em depoimento que, por conta da troca de jurados na quinta-feira, um “acordo de cavalheiros” foi firmado
Tiago Faria, membro da diretoria da Império da Casa Verde, que destruiu notas dos jurados e interrompeu a apuração do Carnaval: crime inafiançávelTiago Faria, membro da diretoria da Império da Casa Verde, que destruiu notas dos jurados e interrompeu a apuração do Carnaval: crime inafiançável (Daniel Teixeira/AE)

 

Tiago Ciro Tadeu Farias e Cauê Santos Ferreira, presos nesta terça-feira na confusão que interrompeu a apuração do título do carnaval de São Paulo, afirmaram em depoimento que havia “um acordo de cavalheiros” para que nenhuma escola saísse campeã neste ano. Eles prestaram depoimento ao delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia de Turismo.

A troca de dois jurados, na última quinta-feira, um dia antes do início dos desfiles, motivou o combinado que envolveu treze escolas – apenas a “campeã”, que seria beneficiada pela troca, não participou do acordo, na versão dos presos. Eles não disseram qual seria essa escola. A Mocidade Alegre estava na frente, muito próxima do título, quando a leitura dos votos foi interrompida.

Pouco antes da confusão tomar todo o sambódromo, com a invasão do palco e o roubo dos votos, Darci Silva, o Neguitão, presidente da Vai-Vai, começou a incitar membros da própria escola, da Casa Verde, da Gaviões e da Camisa Verde e Branca: “Tá tudo vendidinho, tá tudo vendidinho”, gritava, em alusão aos jurados.

Nesta sexta-feira, pouco antes do início da apresentação da escola que preside, Silva já havia levantado suspeita sobre a substituição: “Houve uma troca de jurados na calada da noite, mas já que a Liga (das Escolas de Samba de São Paulo) resolveu, nós vamos para o pau”, disse.

*A imagem ilustrativa deste post reitei do site http://www.carnavalvotuporanga.com.br/wp-content/uploads/2011/08/carnaval-2012.jpg através de pesquisa na internet.
*As informações “Da paradinha à paradona: a arriscada competição por criatividade nas baterias” retirei do blog https://jornaldapukka.wordpress.com/2012/02/21/da-paradinha-a-paradona-a-arriscada-competicao-por-criatividade-nas-baterias/ através de pesquisa na internet.
*As informações “São Paulo – Presos alegam acordo para não ter campeã do Carnaval” retirei do blog https://jornaldapukka.wordpress.com/2012/02/21/sao-paulo-presos-alegam-acordo-para-nao-ter-campea-do-carnaval/ através de pesquisa na internet.
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Sobre maryalcantaras

Sou uma pessoa calma e bastante tímida. Não costumo sair muito e por isso vivo na internet. Sou bem eclética em questões referentes a preferências... adoro ler, ouvir música, dançar e tomar umas biritas de vez em quando... mas o que eu adoro mesmo é DORMIR e BEIJAR!!! Meu hobbie é DORMIR. Me interesso por coisas variadas, gosto tanto de coisas simples quanto de coisas rebuscadas. "O Amor conquista-se com Amor e não impondo regras." (A.D.) E talvez tenha de praticar um pouco mais a minha tolerância...
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