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No Dia da Mentira, descubra quem mente pra você (Reprodução)

Mitomania: mania de mentir é distúrbio prejudicial

por Nayara Marques

Saiba o que é esse distúrbio e como a mania de mentir pode prejudicar a sua imagem pessoal

Mentirinhas são comuns e quem jura de pé junto que nunca mentiu, com certeza, está mentindo. Uma pequena adequação no currículo para se encaixar numa vaga, o despertador que não tocou e causou o atraso para o trabalho… O problema é quando essa ação se transforma numa segunda – e mais conveniente – realidade, e seu criador passa a aceitá-la e divulgá-la como verdade absoluta. Este desvio é chamado de mitomania, o distúrbio de quem tem mania de mentir.

 A diferença entre um mentiroso e o mitômano é que o primeiro tem finalidades práticas, enquanto o segundo encontra na fraude uma forma de suprir lacunas da vida. É o que explica a psicóloga clínica Denise Werneck: “Não são mentiras quaisquer, elas têm como objetivo o engrandecimento do ego da pessoa. É provável que o mitômano se sinta inferior, inseguro ou tenha dificuldade de acreditar em si mesmo. A autoestima é muito abalada e ele não consegue aceitar as próprias limitações. É como se a pessoa não aceitasse a realidade”.

Marcelo Migon, psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria e doutorando da UFRJ, complementa: “O fraudador objetiva ganhos secundários, conta histórias ao mesmo tempo em que acredita nelas. É uma forma de consolo“.

Desde a infância

É preciso estar atento: a mitomania pode dar sinais já na infância. Infelizmente o diagnóstico nesta fase é difícil. “O senso de realidade da criança é diferente do adulto. Quando ela diz que o pai é mais forte do que o Super-Homem ou que a mãe dará um brinquedo igual ao da amiguinha, quando não vai, é normal. É uma questão da fantasia da criança, muito importante nesta fase. Mas se ela passar da fase pré-escolar e não conseguir amadurecer para tolerar as frustrações sem recorrer à mitomania é sinal de que a criança se sente inadequada ou inferior”, alerta Denise Werneck.

A mania de contar mentiras ou exagerar acontecimentos pode surgir em qualquer fase da vida. “Normalmente surge depois de um grande fracasso, quando a pessoa se sente injustiçada pela vida. Ela pode desenvolver um quadro de depressão ou usar a mitomania como forma de compensação. É como se fosse um antidepressivo, já que levanta o moral por um tempo”, esclarece a psicóloga. “Muitas vezes o problema se apresenta unido à angústia profunda, TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), depressão ou pós-depressão”, acrescenta Marcelo Migon.

Ilusão momentânea

O mitônamo sabe, no fundo, que o que diz não é totalmente verdadeiro, mas, segundo os especialistas, a mentira garante um equilíbrio interior. Ele se ilude momentaneamente e quase acredita na veracidade daquilo que conta, como diz o membro da Associação Brasileira de Psiquiatria: “Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais do que na realidade objetiva exterior”. Agora, quando o indivíduo tem certeza de que sua invenção é real, ressalta Denise Werneck, o nome da patologia muda: “Este é o delírio psicótico”.

Mitomania negativa

Outra vertente da doença é o mitômano negativo, que, em vez de se promover, cria uma imagem rebaixada de si próprio. “São aqueles que passam a imagem de ‘coitadinhos’, tentam provocar pena para ganhar atenção. Isso tudo está ligado à forma como você se apresenta para o outro, é uma estratégia pessoal. A mitomania é muito mais direcionada para o outro do que para si mesmo, ela só tem efeito se for contada”, pontua Denise.

Um caso de grande repercussão que explicita este tipo de mitomania é o da advogada Paula Oliveira, ocorrido em fevereiro de 2009. A brasileira, que vivia em Zurique, na Suíça, procurou a polícia com o corpo coberto de cortes feitos com navalha. Contou que havia sito atacada por skinheads numa estação de trem e que, devido ao incidente, havia abortado os gêmeos que esperava. O caso, noticiado mundialmente, se revelou uma grande mentira. Paula não só não sofreu nenhum ataque como nunca esteve grávida. “Esse é com certeza um indicativo de mitomania negativa. Em geral, os mitômanos criam histórias positivas para se sentirem engrandecidos. Nesse caso, ela precisou se cortar e inventar que havia sido atacada para ganhar atenção”, observa Denise.

A espanhola Tânia Head também não poupou mentiras quando declarou ser uma das sobreviventes do ataque terrorista às Torres Gêmeas no 11 de setembro. Ela passou a frequentar reuniões de familiares de vítimas, organizou visitas ao marco zero da tragédia, conheceu o prefeito de Nova York na época, Rudolph Giuliani, e se tornou presidente de uma associação de sobreviventes.

No entanto, até o nome da espanhola era falso e, cinco anos depois, ela foi desmascarada pelo jornal The New York Times. “Ela conseguiu manter a mentira por muito tempo, é provável que ela mesma tenha passado a acreditar na fraude. É claro que, para um diagnóstico completo, seria necessária uma avaliação psicológica, mas a princípio podemos dizer que é mitomania, principalmente porque a mentira não tinha objetivo financeiro”, arrisca dizer a psicóloga clínica.

Mentirinha branca

Para quem volta e meia se pega contando uma mentirinha ou outra, fique tranquilo, ela não é necessariamente um sinal de distúrbio. “A mentira ‘branca’, que faz parte das ferramentas sociais de convívio, é totalmente normal. Essa questão de não dizer a verdade pode acontecer em função da educação ou quando não queremos magoar quem gostamos. Faz parte. Até usamos a palavra ‘sincericídio’ para estes casos, ou seja, o suicídio pela sinceridade. O indivíduo que é extremamente sincero diz coisas que podem vir a prejudicá-lo”, conta Denise.

O grande problema da mitomania é o fácil desmascaramento. O resultado? A vergonha. “O tiro sai pela culatra e o mitômano acaba criando outro problema, já que não está se baseando numa avaliação real da situação. Se buscasse meios concretos para aprender a se valorizar poderia conseguir melhores resultados. Ao contrário, a pessoa passa por um sofrimento maior, sente vergonha e a situação pode piorar, pois se sentirá cada vez mais excluída da sociedade”, explica Denise, que aconselha: “A terapia é o melhor caminho. Não existem remédios químicos que resolvam o problema, o melhor remédio é a conversa”.

*As informações sobre a “Mitomania” retirei dos sites http://msn.bolsademulher.com/investimentos/mitomania-102966.html e http://msn.bolsademulher.com/investimentos/mitomania-102966-2.html através de pesquisa na internet.

Sobre maryalcantaras

Sou uma pessoa calma e bastante tímida. Não costumo sair muito e por isso vivo na internet. Sou bem eclética em questões referentes a preferências... adoro ler, ouvir música, dançar e tomar umas biritas de vez em quando... mas o que eu adoro mesmo é DORMIR e BEIJAR!!! Meu hobbie é DORMIR. Me interesso por coisas variadas, gosto tanto de coisas simples quanto de coisas rebuscadas. "O Amor conquista-se com Amor e não impondo regras." (A.D.) E talvez tenha de praticar um pouco mais a minha tolerância...
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