Cidade dos Homens – O Filme

Assisti este filme ontem… e "Cidade dos Homens" é o fiel e cru retrato da dura realidade de quem vive nas favelas cariocas… o filme mostra sem heroísmos e sem poesias, todas as dificuldades que essas pessoas passam e que nós não vemos todos os dias, mas sabemos como é.
O filme não tenta passar mensagens bonitas, lições e nem tenta "glamourizar" a vida nas favelas como vários outros e principalmente novelas fizeram. Cidade dos homens é apenas o puro retrato da difícil vida nas favelas cariocas, a voz de pessoas humildes, que sofrem diante de um cotidiano cada vez mais violento e desumano.
 
Cidade dos Homens – O Filme
SINOPSE

Acerola e Laranjinha completam 18 anos e têm de lidar com questões pessoais: enquanto um quer conhecer outras mulheres, o outro quer descobrir quem é seu pai. Adaptação para o cinema da premiada série de TV, por sua vez inspirada no filme ”Cidade de Deus”.

 
PRESS BOOK
 
Produzido pela O2, Globo Filmes e Fox, longa de Paulo Morelli encerra a trajetória dos personagens que cativaram milhões de brasileiros na série de TV homônima.

Dois amigos que cresceram juntos em uma favela carioca fazem 18 anos e encaram as primeiras dificuldades da vida adulta. Acerola (Douglas Silva) tem um filho de dois anos para criar. Acostumado à liberdade, se sente amarrado pelo casamento e lamenta a paternidade precoce.

Para Laranjinha (Darlan Cunha), o problema não é ser pai, mas não ter um pai. Decidido a encontrar o seu, ele começa a remexer o passado. Enquanto a dupla tenta resolver seus problemas, uma guerra sacode o perigoso mundo do tráfico à sua volta. O dono do morro, Madrugadão (Jonathan Haagensen), primo de Laranjinha, perde o posto para o ex-braço direito, Nefasto (Eduardo BR). Na confusão, os dois amigos vão ter de fugir de casa e acabarão descobrindo uma verdade que, de tão incômoda, ameaça separá-los.

"Cidade dos Homens", longa-metragem de Paulo Morelli que a produtora O2 Filmes lança com a Globo Filmes e a Fox Film do Brasil, fecha a trajetória de quatro anos dos cativantes personagens da série de TV homônima, exibida pela Rede Globo de 2002 a 2005. Depois de conquistar o público com o humor e a inteligência que usavam para escapar das armadilhas diárias da pobreza e do preconceito, Acerola e Laranjinha vão dar um passo sério.

Um terá de aprender a ser pai; o outro, a viver sem o seu. "O filme é muito mais emocional do que os episódios da TV e o tratamento formal é melhor. É cinema de qualidade", diz Fernando Meirelles, da O2 Filmes, produtor do novo filme e da série e diretor de "Cidade de Deus".

Cidade dos Homens, a série

Laranjinha, Acerola, Cris, Madrugadão e Nefasto são velhos conhecidos do público de TV: exibida pela Globo entre 2002 e 2005, a série "Cidade dos Homens" tinha média de 22 milhões de espectadores por semana. Ao longo de 19 episódios, dirigidos por Paulo Morelli, Regina Casé, Cao Hamburger e outros, eles viveram aventuras e grandes mudanças: Laranjinha passou fome e flertou com o crime antes de conseguir trabalho; Acerola perdeu a virgindade e engravidou a namorada; Madrugadão, de soldado, converteu-se em comandante do tráfico; Nefasto, seu fiel ajudante, desacostumou-se de ser mandado.

Derivada do filme "Cidade de Deus", o grande sucesso da O2 Filmes, a série "Cidade dos Homens" expande as conquistas que tornaram o longa de Fernando Meirelles único. Os atores, talentos descobertos em ONGs e escolas de teatro dos morros cariocas, participam da composição de cenas e diálogos. As histórias vividas pelos personagens se baseiam em testemunhos de moradores das comunidades cariocas. A câmera busca um tom documental e não há cenários, mas locações reais, sobretudo na favela carioca do Chapéu Mangueira. "A série somou acertos, como a novidade do tema, o carisma dos protagonistas, o fato de ter sido produzida como cinema e o acabamento artesanal", diz Fernando Meirelles.

Cidade dos Homens, o filme

Rodado um ano depois do fim da série, o filme "Cidade dos Homens" mantém as características que fizeram a diferença no programa de TV. É filmado com câmera na mão em locações de sete favelas do Rio de Janeiro, do Chapéu Mangueira ao Vidigal. Do elenco da série, tem Darlan, Douglas, Jonathan e BR, mais Camila Monteiro (Cristiane), Luciano Vidigal (Fiel) e Pedro Henrique (Caju). A eles, se juntam os recém-chegados Rodrigo dos Santos (de "Filhos do Carnaval"), no papel de Heraldo, pai de Laranjinha, e a estreante Naíma Silva, que faz Camila, sua nova namorada.

A idéia de encerrar "Cidade dos Homens" com um longa-metragem que amarrasse quatro anos de histórias vividas pelos personagens em um argumento novo e grandioso surgiu no meio do caminho da produção. O tema da paternidade era recorrente na série, por um motivo simples. "A ausência do pai é um traço forte da cultura da favela. Nem o Darlan nem o Douglas conhecem o pai", explica Paulo Morelli. A decisão de centrar o filme na ausência do pai só veio depois de uma pesquisa realizada em 2003 com 50 moradores de favelas cariocas.

Os acontecimentos que desembocam no longa "Cidade dos Homens" começaram na terceira temporada da série, quando Acerola engravida a namorada e Laranjinha resolve procurar o pai. Entremeadas às cenas do filme, passagens da série mostram os atores principais com 11, 13, 14, 15 e 16 anos. Como eles, os outros atores do elenco – e seus personagens – crescem diante dos olhos dos espectadores.

Laranjinha, Acerola

Um era da Mangueira e foi fazer teatro "porque não gostava de esporte". O outro, nascido na Penha, foi para "não ficar de bobeira em casa". Com 11 anos, em 2000, Darlan Cunha e Douglas Silva chegaram às oficinas que formavam o elenco de "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, e chamaram atenção por seu talento para o improviso. "Eles davam a situação e a gente ia criando as características dos personagens", conta Darlan.

Na época, convidado por Guel Arraes para fazer um especial para a Globo, o diretor resolveu testar em um curta-metragem as idéias que seriam fundamento do filme: trabalhar com atores das comunidades, envolvendo-os na criação dos diálogos. Com personagens e argumento inspirados em uma história do livro "Cidade de Deus", de Paulo Lins, "Palace 2" contava a história de dois meninos – Laranjinha e Acerola – que tentam aplicar um golpe ingênuo na irmã de um bandido.

Exibido como especial de fim de ano pela emissora, "Palace 2" foi um enorme sucesso. Nascia a carismática dupla de moleques que tentam enganar a pobreza com humor e idéias (nem sempre excelentes), o projeto "Cidade dos Homens" e a química impressionante de Darlan e Douglas, mais tarde indicado para um Emmy regional pelo trabalho na série. "O que mais me encanta neles é a rapidez para absorver a informação e traduzi-la para o seu universo pessoal. Coisa que só grandes atores fazem", diz Christian Duurvoort, preparador de elenco da série e do filme. "A série ‘Cidade dos Homens’ foi sua escola e o longa é seu trabalho de final de curso."

Duas Cidades

Ligados pela mesma origem, os filmes "Cidade de Deus" e "Cidade dos Homens" se completam. Para Fernando Meirelles, as duas Cidades contam partes diferentes da mesma história. "Cidade de Deus" narra a formação do tráfico organizado nos morros cariocas. Os traficantes são o tema do filme, e, como pano de fundo, vemos as comunidades aprendendo a lidar com a nova ordem. "Cidade dos Homens" é o outro lado. O filme trata de um aspecto da vida de uma comunidade do Rio, a questão das famílias desorganizadas, e o tráfico é que faz o pano de fundo."

Entre os atores, a idéia de dar visibilidade ao cotidiano da favela é um motivo a mais de entusiasmo pelo projeto "Cidade dos Homens", filme e série. "Na favela, 90% das pessoas não estão envolvidas com o crime, mas pagam o pato também. Favelado acaba sendo tratado tudo igual", diz Darlan. "Acontecem muitas coisas boas no morro, mas a mídia só vende o tráfico", completa Jonathan Haagensen, o Madrugadão. "Fora desse universo que o Madrugadão representa, tudo lá é muito sério e legal."

Informações do Press Book fornecido pela distribuidora.

CRÍTICA
 

Laranjinha, Acerola, a maioridade, e um filme que não vê o morro só como campo de batalha

Marcelo Hessel
 

A crítica mais ostensiva feita a Cidade de Deus (2002) era a suposta descontextualização da favela – vilanizava-se o morro sem mostrar como o Rio de Janeiro à beira-mar contribuía para o tráfico e a violência lá em cima. Pois a primeira coisa que Cidade dos Homens (2007) faz é descer.

O filme abre com a vigília no Morro da Sinuca dos soldados do tráfico. Pleno verão, o chefe Madrugadão (Jonathan Haagensen) decide que vai tomar um banho de mar. Arma-se um esquema para que todo o aparato do "exército" da favela desça com ele. Com o Corcovado ao fundo, Madrugadão mergulha sozinho, como se fosse numa piscina particular.

De forte conotação social e política, a cena prepara o terreno – não se trata mais de uma história do morro, mas de uma história do Rio de Janeiro – para Acerola (Douglas Silva) e Laranjinha (Darlan Cunha).

A partir daí, começa o diálogo com a série de TV. Na produção global, dois arcos se impuseram: a procura de Laranjinha pelo pai e a obrigação de Acerola de ser pai. Sem perder tempo e sem muita sutileza, o roteiro de Elena Soárez logo joga os dois temas na pauta: sentados na areia, Laranjinha diz que quer achar logo qem o botou no mundo, para mudar seu R.G., agora que completou 18 anos, e Acerola, por sua vez, e também perto da maioridade, se mostra inábil para cuidar do filho, que acaba perdido na areia.

Os conflitos inseridos assim, didaticamente, com o pique da TV, podem incomodar quem esperava o tempo mais paulatino e menos esquemático, típico do cinema que não se orienta por relações de causa e efeito. Mas, por outro lado, é uma introdução justa para quem nunca assistiu ao seriado; o reforço dos flashbacks ajuda a reapresentar o histórico dos dois amigos que cresceram juntos na telinha.

A favela como identidade

O grande avanço de Cidades dos Homens em relação à telessérie e ao filme de 2002 é mesmo o tratamento reservado ao morro (e à relação do morro com a cidade e com aqueles que o habitam). Sem entregar muito, adiantemos um ponto do filme: Acerola e Laranjinha são forçados a deixar a Sinuca quando estoura uma guerra por poder. Não há "descontexto" aqui: uma vez fora de seu espaço, os personagens são obrigados a encarar esse mundo hostil que é, enfim, o resto do Rio.

A favela é um campo de batalha – e as cenas de ação, tiroteio e morte estão ali para provar – mas não só. É o lugar de Acerola, Laranjinha, seu familiares, sem o qual eles perdem o referencial. Mais do que no filme de 2002, o morro de Cidade dos Homens se aproxima do conceitos gregos de éthos e topos, o local a que se pertence. Sem a Sinuca, não por acaso, Acerola e Laranjinha voltam-se um contra o outro.

Está aí um conceito que, daqui de baixo, temos dificuldade de entender: a favela não é um quebra-galho, a favela pode ser uma identidade. E se Cidade dos Homens tem a coragem de tirá-la de Laranjinha e Acerola (exílio é, ademais, um tema recorrente no cinema nacional recente) temos a chegada inequívoca e metaforizada dos dois à maioridade. 18 anos, pé no asfalto, bóra pro mundo descobrir-se de novo.

TRAILER

 

*A imagem ilustrativa deste post retirei do site http://www.lojasbenavides.com.br/images/cidade%20dos%20homens%20-%20o%20filme.jpg através de pesquisa na internet.

*A sinopse e o press book do filme retirei do site http://epipoca.uol.com.br/ através de pesquisa na internet.
*A crítica do filme retirei do site http://omelete.com.br/cinema/cidade-dos-homens/ através de pesquisa na internet.
*O trailer do filme "Cidade dos Homens/City of Men" retirei do site http://www.youtube.com/watch?v=k1ESl7S6H8s através de pesquisa na internet.

Sobre maryalcantaras

Sou uma pessoa calma e bastante tímida. Não costumo sair muito e por isso vivo na internet. Sou bem eclética em questões referentes a preferências... adoro ler, ouvir música, dançar e tomar umas biritas de vez em quando... mas o que eu adoro mesmo é DORMIR e BEIJAR!!! Meu hobbie é DORMIR. Me interesso por coisas variadas, gosto tanto de coisas simples quanto de coisas rebuscadas. "O Amor conquista-se com Amor e não impondo regras." (A.D.) E talvez tenha de praticar um pouco mais a minha tolerância...
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Uma resposta para Cidade dos Homens – O Filme

  1. Noiva disse:

    O filme perdeu a graça quando explorou um tema que já está bastante batido no cinema e televisão que é a paternidade, para conquistar mais espaço entre os cinéfilos precisava descutir os problemas individuais vivido por cada morador da favela. Isto sim seria uma dignidade de produção.

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