A Duquesa / Entre Lençóis / Vicky Cristina Barcelona

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A DUQUESA
 
 
"A Duquesa" retrata vida de ancestral de princesa Diana
 
Sofrimento e infelicidade matrimonial parecem embutidos no DNA da realeza britânica e estão presentes no drama de época A Duquesa, quee retrata a vida de Georgiana Spencer, uma das ancestrais de Diana Spencer, Lady Di, a Princesa do Povo.
 

A história dessas duas mulheres tem muito em comum: ambas pensaram se casar por amor, mas viveram um casamento infeliz de conveniências presas a formalismos da sociedade. Foram mulheres à frente de seu tempo, feministas e conhecidas por seu apego ao povo – mais do que aos maridos infiéis.

Georgiana, vivida por Keira Knightley (Desejo e Reparação) casou-se com o duque de Devonshire (Ralph Fiennes, de O Jardineiro Fiel), com o único objetivo de lhe dar um herdeiro. Depois de vários abortos e duas tentativas frustradas (teve duas meninas), ela percebe que seu casamento não é um conto de fadas – especialmente quando ele começa a passar as noites no quarto de sua melhor amiga, Bess Foster (Hayley Atwell), a quem ela dá abrigo por ter sido abusada pelo marido.

É uma crônica de infelicidade conjugal que facilmente traça paralelos com a vida infeliz de Lady Di. A diferença é que a amante do duque de Devonshire ganha de Camilla Parker Bowles no quesito beleza.

Georgina se envolve com política – talvez para provocar o marido ou compensar sua solidão – e faz campanha para o partido Whig, ajudando a eleger um primeiro-ministro e apóia as revoluções americana e francesa.

Tudo isso está no filme, mas nunca há algo de mais profundo da personagem. O letreiro inicial (que vem antes mesmo dos créditos) explica que o filme é ‘baseado numa história real’, tentando, antes de mais nada, obter a cumplicidade do público pela heroína sofredora. E como ela sofre.

Dirigido por Saul Dibb, a partir de um roteiro de Jeffrey Hatcher e Anders Thomas Jensen, A Duquesa faz questão de frisar com insistência o quanto Georgina foi importante para as mulheres de seu tempo, mas quando se aventura pela vida amorosa da personagem restam apenas lágrimas eternas e risos fugazes, sem muita profundidade emocional ou psicológica.

O duque quer apenas um filho – ele gosta mais de seus cães do que das filhas e da mulher – e a duquesa quer apenas ser feliz, nem que seja nos braços de Charles Grey (Dominic Cooper), um jovem político que se torna seu amante.

E a infelicidade de Georgina é acentuada para que fique bem claro o quanto essa pobre mulher sofreu nas mãos do marido, que a violentou ao menos uma vez. Num café da manhã, ela pede ao marido que lhe permita ter um amante. Ele nega, é óbvio. Mas a amante dele, que também está à mesa, tenta argumentar que a duquesa quer o mesmo que eles dois têm: em vão. Mais uma vez, Georgina precisa falar por si mesma – e novamente o filme insiste em mostrar o quanto ela foi importante para as mulheres da sua época, mesmo ao custo de muito sofrimento.

Reuters

ENTRE LENÇÓIS
 
 
Dirigido por Gustavo Nieto Roa. Com: Reynaldo Gianecchini, Paola Oliveira.

Paula (Oliveira) conhece Roberto (Gianecchini) em uma festa e, em seguida, juntos, vão a um motel. A princípio, são dois desconhecidos que só querem suprir uma das necessidades básicas do ser humano. A noite será mais longa do que parece.

A diária toda está paga. Teoricamente, era só o casal dar sua trepada, se vestir e ir embora. Mas há uma curiosidade entre eles que acaba prolongando a noite em conversas, aproveitamento dos recursos do espaço (sauna, serviço de quarto, banheira, etc) e novas trepadas (o fôlego do personagem masculino para cinco comparecidas é assustador). Contudo, esses três elementos se repetem à exaustão, em suas essências. Depois da apresentação formal de ambos (ela está prestes a se casar e ele acabou de ter a briga definitiva com a esposa), que nem sabiam o nome do outro, o tédio toma conta da película, e o primeiro ato ainda nem terminou.

O fato é que os papos de Paula e Roberto parecem interessar só a eles. Relatam suas vidas, como se fossem diferentes das outras pessoas, e fazem um jogo de perguntas e respostas sobre clichês sexuais, que interessariam leitores de revistas vazias e comunidades do Orkut onde importam somente o número de membros inscritos.

Em determinado momento, descobre-se brinquedos sexuais na bolsa de Paula, como vibrador, algema e fantasia. Isso denotaria suposta disposição a novas práticas, mas o fato é que, com Roberto, a moça só se dispõe a fazer um folhetinesco “papai e mamãe”. Nem um nu frontal superior da moça ou um strip-tease do rapaz, que quase mostra sua genitália, são capazes de quebrar o clima conservador. Por pouco, eles não chamavam seus traseiros de “bumbum”.

Como propaganda de motel, “Entre Lençóis” funciona muito bem; como entretenimento ou reflexão, falha miseravelmente. Para piorar a situação, Roberto e Paula se apaixonam e, o que seria só uma noite de sexo cafona, se torna uma de amor, também cafona. E dá-lhe minutos eternos de discussão para ver se os personagens largariam ou não seus pares originais.

A direção do colombiano Gustavo Nieto Roa é pouco inventiva; afinal, a câmera não sai de seu quase único cenário. Assim fica fácil. E constrangedor também. Reynaldo Gianecchini não abandona seu tipo excessivamente seguranço, enquanto a bela Paola Oliveira encarna a ultrapassada figura da mocinha que busca o príncipe encantado.

Entre vaivens intermináveis, “Entre Lençóis” merece o prêmio de maior “encheção de lingüiça” do ano. Promete ser desafiador, por suas restrições, mas se encolhe perante elas, errando feio na condução de trama. No fim, sexo se complica e amor vira um simples jogo de decisões, apesar da demora na resolução. O oposto do que é na realidade. Assim, esta é uma obra ficcional que não se assume como tal. Nem os lençóis escondem essa verdade.

 
VICKY CRISTINA BARCELONA

Woody Allen descomplica o amor por lhe aceitar a irracionalidade

Cíntia Bertolino

Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977), Woody Allen lembra uma piada antiga. Um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que Allen responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos". À piada segue uma pequena, porém brilhante, reflexão: "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".

Absolutamente coerente com a "filosofia dos ovos", depois de tantos anos esmiuçando os paradoxos do romance, Woody Allen ainda tem muito o que dizer sobre a irracionalidade, a maluquice, os absurdos de um relacionamento amoroso.

Vicky Cristina Barcelona tem esse mesmo leitmotiv. Mas o tratamento aqui é outro. Há uma leveza maior sem, no entanto, banalizar ou simplificar as emoções dos personagens. Talvez o tempo tenha amenizado a angústia e o diretor e roteirista tenha compreendido que algumas coisas nem sempre podem ser analisadas de forma racional e cartesiana. Às vezes, nem um analista ajuda.

Isso parece ser dito na abertura do filme. E é dito de forma alegre, quase descompromissada, graças à saltiante música-tema "Barcelona", de Giulia & Los Tellarini, que pergunta: "Por que tanto perde-se/Tanto buscar-se/Sem encontra-se?".

Vicky Cristina Barcelona acompanha duas amigas de férias na capital catalã. Vicky (Rebecca Hall) é centrada, prática. Cristina (Scarlett Johansson) é o oposto: impulsiva, meio-artista. Em Barcelona, no verão, as duas visitam os cartões postais da cidade, vagueiam pelas ruas ensolaradas e numa noite conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor que teve um divórcio conturbado da mulher, Maria Elena (Penélope Cruz), linda – e maluca.

O encontro entre as garotas e Juan Antonio parece dizer ao público: "bem, agora sim elas chegaram a Barcelona". Agora, sim, o filme começa. E é o que de fato acontece. Surgem então as observações espirituosas, o humor e as idiossincrasias tão caras ao diretor. Enquanto um personagem se questiona se o amor autêntico é o que dá sentido à vida, outro pergunta com afetação a um casal de amigos se eles têm idéia de quanto custa um tapete oriental.

Como diria um especialista em metafísica transcendental que não acredita na conquista da Lua, o mundo pode ser dividido justamente assim. Entre os que querem saber o que dá sentido à vida e os que se importam verdadeiramente com o valor de mercado de uma bela tapeçaria.

Se valeu a pena a cidade de Barcelona ter investido dinheiro no projeto de Woody Allen? Indiscutivelmente. Vicky Cristina Barcelona é um dos filmes de verão mais charmosos dos últimos anos. E prova que não é preciso muita elucubração intelectual para absorver a cidade, sua estética, seu espírito. A beleza dela – assim, sem filtros, com todos os temperamentos catalães que tem a extravasar – está à distância de um toque.


*A imagem ilustrativa do filme "A Duquesa" retirei do site http://itsderick.files.wordpress.com/2008/08/article-0-020f484800000578-140_233x347_popup.jpg e as informações sobre o filme retirei do site http://cinema.terra.com.br/ficha/0,,TIC-OI6997-MNfilmes,00.html  através de pesquisa na internet.
*A imagem ilustrativa do filme "Entre Lençóis" retirei do blogspot http://2.bp.blogspot.com/_mxwaXyBrA-s/SVHFE5AnrAI/AAAAAAAACZY/BlB1N7jnm0g/s400/Entre+Len%C3%A7%C3%B3is.jpg e as informações sobre o filme retiri do blogspot http://cinematoca.blogspot.com/2008/12/entre-lenis.html através de pesquisa na internet.
*A imagem ilustrativa do filme "Vicky Cristina Barcelona" retirei do site http://jonnyrosemont.files.wordpress.com/2009/02/vicky_cristina_barcelona.jpg e as informações sobre o filme retirei do site http://www.omelete.com.br/cine/100015979/Vicky_Cristina_Barcelona___Mostra_SP_2008.aspx através de pesquisa na internet.

Sobre maryalcantaras

Sou uma pessoa calma e bastante tímida. Não costumo sair muito e por isso vivo na internet. Sou bem eclética em questões referentes a preferências... adoro ler, ouvir música, dançar e tomar umas biritas de vez em quando... mas o que eu adoro mesmo é DORMIR e BEIJAR!!! Meu hobbie é DORMIR. Me interesso por coisas variadas, gosto tanto de coisas simples quanto de coisas rebuscadas. "O Amor conquista-se com Amor e não impondo regras." (A.D.) E talvez tenha de praticar um pouco mais a minha tolerância...
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Uma resposta para A Duquesa / Entre Lençóis / Vicky Cristina Barcelona

  1. мãє disse:

    Minha vida anda tão atarefada que cinema é uma coisa do passado…Mas adorei as dicas de filme…"A Duquesa" faz meu genero de filme… adoro filmes épicos, as roupas, os jantares… me encantou ainda mais saber que "A Duquesa" retrata vida de uma ancestral da princesa Diana… será carma?Os outros filmes não chamam muito minha atenção…Mas adorei as dicas!

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