Samba consciente… Cachaça com volante não combina

 

Nem futebol, muito menos política. O assunto é cachaça. Mas calma. É por uma boa causa, na verdade, por um bom samba. O bloco carnavalesco, que surgiu no ano passado no Méier, é principiante no carnaval carioca, mas os fundadores são filhos do samba há muito tempo. Formado por Mauro Diniz, Paulão 7 cordas, Ari Bispo e outros importantes nomes do samba, o bloco leva a mensagem de quem bebe não tem que estar ao volante. Assunto importante e que classificou a marchinha dos “cachaças” entre as 10 finalistas no concurso que ocorreu na Fundição Progresso.

A idéia de criar um bloco com um nome tão irreverente partiu de Claudia Diniz, esposa de Mauro, em janeiro do ano passado. Como bons sambistas, o que não falta na casa da família Diniz, na zona Norte, são encontros com outros amigos para um bate-papo e festas regadas a churrascos e uma bebidinha. No carnaval a turma costumava se reunir para ver na televisão a apuração dos resultados das escolas do grupo especial e cada um vinha com a camisa de sua agremiação. Para não ter diferentes torcidas no mesmo ambiente surgiu a idéia do bloco, unidos pela mesma camisa, cachaça e por uma boa brincadeira.

Claudia idealizou o bloco

O nome surgiu das brincadeiras de Mauro com os amigos, sempre chamando um ou outro de “ô cachaça”. Mas apesar do sugestivo nome, não é preciso gostar da branquinha para fazer parte do grupo, como afirma Mauro: “A Claudia não bebe e é a presidente”. Segundo ela o bloco é dividido em vários níveis etílicos: “Tem o cachaça profissional, o iniciante e o amador, que é o que não bebe, mas se diverte. Esse sou eu (risos)”, explica Claudia.

“Volante e Cachaça não combinam”

A marchinha “Volante e Cachaça não combinam” nasceu durante um gole e outro, nas reuniões com os amigos, de forma natural. Mauro começou e a letra foi logo completada pelo violonista e compositor Cláudio Jorge com o refrão bem humorado: "Eu bebo pinga, bebo cerveja, Eu bebo tudo que tiver na mesa. Pra não contrariar minha mulher, Eu largo o carro e vou andando a pé". A marchinha lembra que diversão não precisa acabar em tragédia. “Quem quer beber, pega um táxi. Nós temos dois taxistas no bloco que sempre pedem um quando bebem”, relembra Claudia que também se preocupa em conscientizar os filhos em relação a bebida. “Eles brincam que vão formar os ‘cachaças’ do amanhã”, diz.

O Bloco dos Cachaças

Mauro: o samba virou espetáculo circense

O Bloco nasceu da retomada do carnaval de rua, que segundo Mauro recupera o espírito da origem do festa carioca. “Hoje em dia eu vejo que o samba não é o mais importante. Ele virou um espetáculo circense, que deixa de valorizar uma passista para colocar uma modelo que às vezes não samba, mas é modelo”. Questionado se os blocos do asfalto e das favelas são diferentes, o portelense mostra que o importante é a mensagem que cada um leva: “Acho que independente da proposta de cada, o importante é fazer a alegria no carnaval”, explica.

Contando com 39 fundadores a turma pretende para este ano criar uma campanha para ajudar instituições com alimentos e roupas. Sem nenhuma visão comercial, o objetivo é trazer a união, a amizade e pôr o bloco na rua. “A pretensão é ser democrático, bem mais para um divertimento, voltada para a família”, diz Mauro. O Bloco dos Cachaças vai desfilar por diversos pontos da cidade como a Lapa, Méier, Vila Isabel, Barra da Tijuca (para homenagear o padrinho do bloco, Zeca Pagodinho) e fazer um “concentra, mas não saí” em Oswaldo Cruz, local carinhosamente lembrado e onde a Escola de Samba Portela está localizada.

Confira a marchinha de carnaval do “Bloco dos Cachaças”

Volante e Cachaça não combinam

(Autores: Mauro Diniz e Cláudio Jorge)

Seu taxista eis aqui meu endereço
Eu já tomei umas e outras sim senhor
Volante e cachaça não combinam
E a vida não tem preço não senhor

Sou um cachaça
Mas não sou burro não
Se eu bebo não pego a direção
E se não tem ninguém pra me levar
Eu dou um tempo até a coisa melhorar

Eu bebo pinga, bebo cerveja
Eu bebo tudo que tiver na mesa
Pra não contrariar minha mulher
Eu largo o carro e vou andando a pé

*A imagem retirei do spaces do amigo Jorge Schweitzer.

* As informações sobre o ‘Samba consciente’ retirei do site http://www.vivafavela.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_0002.htm?editionsectionid=2&infoid=45560&user=reader através de pesquisa na internet.

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Sobre maryalcantaras

Sou uma pessoa calma e bastante tímida. Não costumo sair muito e por isso vivo na internet. Sou bem eclética em questões referentes a preferências... adoro ler, ouvir música, dançar e tomar umas biritas de vez em quando... mas o que eu adoro mesmo é DORMIR e BEIJAR!!! Meu hobbie é DORMIR. Me interesso por coisas variadas, gosto tanto de coisas simples quanto de coisas rebuscadas. "O Amor conquista-se com Amor e não impondo regras." (A.D.) E talvez tenha de praticar um pouco mais a minha tolerância...
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